Ecocardiograma fetal: quando fazer e o que ele revela

Por Dra. Maria Fernanda Rocha Menezes · 2 de setembro de 2026

Ecocardiograma fetal: quando fazer e o que ele revela

Revisado por Dra. Maria Fernanda Rocha Menezes · Cardiologista Pediátrica e Ecocardiografista · CRM-MG 80.650 · RQE 70.596 · RQE 70.602 · Última revisão em 9 de setembro de 2026.

O coração é o primeiro órgão a funcionar na vida de um bebê: ele começa a bater por volta da sexta semana de gestação, muito antes de a mãe sentir qualquer movimento. E, assim como o ultrassom acompanha o crescimento do bebê, existe um exame dedicado a olhar de perto para esse coração antes do nascimento.

O que é o ecocardiograma fetal

O ecocardiograma fetal, também chamado de ecocardiografia fetal, é um ultrassom dedicado ao coração do bebê ainda dentro do útero. É feito sobre a barriga da mãe, com um aparelho semelhante ao do ultrassom obstétrico, mas com outro objetivo: em vez de avaliar crescimento e anatomia geral, o exame estuda em detalhe as quatro câmaras cardíacas, as válvulas, os grandes vasos, o fluxo do sangue e o ritmo dos batimentos.

Não dói, não usa radiação e não oferece risco para a mãe nem para o bebê. Pode ser repetido quantas vezes for necessário ao longo da gestação.

Ecocardiograma fetal é a mesma coisa que ultrassom morfológico?

Não, e essa é uma das confusões mais comuns no consultório.

O ultrassom morfológico avalia o bebê inteiro e inclui uma checagem básica do coração, o chamado rastreamento cardíaco. É uma triagem: olha as quatro câmaras e a saída dos grandes vasos, mas não entra em detalhe.

O ecocardiograma fetal é o exame especializado. Ele estuda apenas o coração, com equipamento ajustado para isso e por profissional com formação específica em cardiologia fetal. É o exame capaz de fechar um diagnóstico, e detecta mais de 90% das cardiopatias congênitas.

Um serve para levantar a suspeita. O outro serve para responder a ela.

Em que semana da gestação fazer

A janela considerada ideal para a ecocardiografia fetal vai da 24ª à 28ª semana. Nesse período o coração do bebê já alcançou um tamanho que permite ver as estruturas com nitidez, ainda há líquido amniótico em quantidade favorável e a calcificação dos ossos não atrapalha a passagem do ultrassom.

Em situações específicas, o exame é antecipado, por exemplo diante de alteração no ultrassom morfológico do primeiro trimestre, arritmia fetal ou histórico de um filho anterior com cardiopatia. Quando isso acontece, o exame costuma ser repetido mais adiante na gestação, porque estruturas muito pequenas podem mudar de aspecto conforme o bebê cresce.

Toda gestante precisa fazer?

Existe um dado que costuma surpreender as famílias: a maior parte dos bebês que nasce com cardiopatia congênita vem de gestações sem nenhum fator de risco conhecido. Mãe saudável, pré-natal tranquilo, nenhum caso na família.

É por isso que a avaliação cardíaca do feto vem sendo recomendada de forma cada vez mais ampla, e não apenas para gestações classificadas como de risco. As cardiopatias congênitas estão entre as malformações mais frequentes ao nascimento: atingem cerca de 1 a cada 100 bebês, o que representa perto de 29 mil novos casos por ano no Brasil.

E há um problema conhecido no país: enquanto países de renda alta diagnosticam cerca de 80% dessas cardiopatias ainda na gestação, no Brasil essa taxa fica em torno de 30%. A maioria dos bebês brasileiros com cardiopatia ainda nasce sem ninguém saber.

Quem tem indicação prioritária

Algumas situações elevam a chance de alteração cardíaca e tornam o exame especialmente importante. Entre as de maior peso segundo o posicionamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia:

  1. cardiopatia congênita em parente de primeiro grau (pai, mãe ou outro filho);
  2. diabetes materno anterior à gestação;
  3. alteração cromossômica identificada no bebê;
  4. translucência nucal aumentada no ultrassom do primeiro trimestre;
  5. gestação gemelar monocoriônica, quando os gêmeos dividem a mesma placenta;
  6. outras malformações já identificadas no bebê;
  7. fenilcetonúria materna ou infecção por rubéola no primeiro trimestre.

Há ainda um segundo grupo, também relevante:

  1. diabetes gestacional diagnosticado já no primeiro trimestre;
  2. anticorpos maternos anti-Ro (SSA) e anti-La (SSB), presentes em doenças como lúpus e síndrome de Sjögren. Nesses casos o acompanhamento costuma ser repetido ao longo da gestação, pelo risco de bloqueio cardíaco no bebê;
  3. uso de determinados medicamentos na gestação, como inibidores da ECA, ácido retinoico e anti-inflamatórios no terceiro trimestre;
  4. gestação obtida por reprodução assistida;
  5. alteração no ritmo cardíaco do bebê, batendo rápido demais, devagar demais ou de forma irregular.

Por que descobrir antes do parto muda o cuidado

O diagnóstico durante a gestação não altera o coração do bebê. O que ele altera é o preparo de quem vai recebê-lo. E isso pesa.

Com o diagnóstico em mãos, a equipe pode escolher uma maternidade com a estrutura necessária, deixar o neonatologista e o cardiologista pediátrico avisados, planejar o momento e o local do parto e iniciar o tratamento nas primeiras horas de vida, sem transferência de emergência com o bebê instável. Em algumas cardiopatias, essas primeiras horas são determinantes.

Há também um ganho que não aparece em exame nenhum: a família chega ao parto informada, com as dúvidas já conversadas, sabendo o que vai acontecer, em vez de descobrir tudo de uma vez na sala de parto.

Como é o exame, na prática

A gestante fica deitada, o profissional aplica o gel sobre a barriga e desliza o transdutor, exatamente como em um ultrassom comum. A duração costuma ficar entre trinta e quarenta e cinco minutos, porque o coração do bebê é pequeno e precisa ser observado em vários ângulos e planos.

Às vezes a posição em que o bebê está atrapalha a visualização. Nesses casos é comum pedir que a mãe caminhe um pouco, mude de posição ou volte outro dia para completar o exame. Isso não indica que algo esteja errado. É a rotina de um exame que depende da colaboração de alguém que ainda não colabora.

E o teste do coraçãozinho, na maternidade?

O teste do coraçãozinho é a oximetria de pulso feita no recém-nascido, obrigatória no Brasil desde 2014. É realizado entre 24 e 48 horas de vida, antes da alta, medindo a oxigenação na mão direita e em um dos pés. Uma saturação abaixo de 95% acende o alerta para investigação.

É um exame valioso e salva vidas. Mas ele tem uma limitação importante: foi desenhado para detectar cardiopatias congênitas críticas, aquelas que colocam o bebê em risco nos primeiros dias, e sua sensibilidade não alcança todas as cardiopatias. Um teste do coraçãozinho normal é uma boa notícia, mas não é um atestado de que o coração não tem nenhuma alteração.

Os dois exames se complementam: o ecocardiograma fetal antecipa o diagnóstico; o teste do coraçãozinho funciona como rede de segurança na maternidade. Falamos dele em detalhe no artigo sobre o teste do coraçãozinho.

E se o exame apontar alguma alteração?

Encontrar uma alteração não significa que o bebê precisará de cirurgia, nem que o desfecho será grave. Muitas cardiopatias são leves e apenas acompanhadas; outras se resolvem sozinhas nos primeiros meses de vida; algumas exigem tratamento, e nesses casos o diagnóstico antecipado é justamente o que permite chegar preparado.

O passo seguinte é uma conversa com o cardiologista pediátrico, para entender exatamente o que foi encontrado, o que se espera no nascimento e como será o acompanhamento. Essa conversa faz parte do cuidado tanto quanto o exame.

Onde fazer o ecocardiograma fetal em Montes Claros

Cardiologia fetal é especialidade concentrada nos grandes centros, e boa parte do Norte de Minas não tem o serviço na própria cidade. Muitas gestantes vêm de Janaúba, Salinas, Pirapora, Bocaiúva, Januária, Espinosa e região para fazer o eco fetal em Montes Claros.

Na Clínica Pequeno Coração o exame é realizado e laudado pela mesma cardiologista pediátrica que acompanha as crianças depois que nascem. Isso significa que, se o exame mostrar alguma alteração, a conversa sobre o que fazer acontece na hora, e não num encaminhamento semanas depois.

Detalhes de preparo, agendamento e endereço estão na página do exame: ecocardiograma fetal em Montes Claros.

Perguntas frequentes

O ecocardiograma fetal dói ou oferece risco ao bebê?

Não. É um ultrassom: usa ondas sonoras, não radiação. Não há dor, agulha, contraste nem qualquer risco conhecido para a mãe ou para o bebê.

Preciso de encaminhamento do obstetra?

O exame costuma ser solicitado pelo obstetra durante o pré-natal, mas a gestante também pode procurar avaliação por conta própria. Vale conversar com quem acompanha sua gestação sobre o melhor momento.

Preciso de jejum ou algum preparo?

Não. Não é necessário jejum nem bexiga cheia. Roupas confortáveis, que deem acesso fácil à barriga, ajudam.

Se o ultrassom morfológico veio normal, ainda preciso do ecocardiograma fetal?

O morfológico faz uma checagem básica do coração, não um estudo detalhado. Como a maioria das cardiopatias ocorre em gestações sem fator de risco, um morfológico normal reduz a preocupação, mas não substitui a avaliação especializada.

O exame pode ser feito no primeiro trimestre?

Em situações específicas, sim, com equipamento e experiência adequados. Nesses casos o exame é repetido mais adiante, porque o coração ainda está em formação e algumas alterações só se tornam visíveis depois.

Leia também: Ecocardiograma infantil: como funciona, Eletrocardiograma em crianças e Cardiopatias infantis mais comuns.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. A indicação e a interpretação de qualquer exame devem ser feitas por um médico.

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