Ecocardiograma infantil: o coração do seu filho funcionando na tela
Por Dra. Maria Fernanda Rocha Menezes · 2 de setembro de 2026

Revisado por Dra. Maria Fernanda Rocha Menezes · Cardiologista Pediátrica e Ecocardiografista · CRM-MG 80.650 · RQE 70.596 · RQE 70.602 · Última revisão em 9 de setembro de 2026.
Quando o pediatra escuta um sopro ou percebe algo diferente no exame da criança, o ecocardiograma costuma ser o passo seguinte. É o exame que permite ver o coração por dentro, funcionando, sem nenhum procedimento invasivo. Na grande maioria das vezes, ele traz tranquilidade.
Meu filho tem sopro. Isso é grave?
Na imensa maioria das vezes, não. Entre 50% e 70% das crianças terão um sopro audível em algum momento da infância ou da adolescência, e entre as encaminhadas ao cardiologista pediátrico por esse motivo, cerca de 82% têm sopro inocente, ou seja, coração com estrutura normal.
O ecocardiograma entra justamente para diferenciar essa situação, que é a mais comum, daquelas que merecem acompanhamento. Escrevemos um artigo inteiro sobre isso: sopro no coração da criança: quando investigar.
O que é o ecocardiograma
O ecocardiograma é um ultrassom do coração. Por meio de ondas sonoras, ele forma imagens em movimento das câmaras, das válvulas e dos grandes vasos, e mostra o sangue circulando em tempo real, com direção e velocidade.
É indolor, não usa radiação, não exige agulha nem contraste, e pode ser repetido quantas vezes for necessário, sem risco acumulado.
Quando o exame é indicado
Além do sopro com características que pedem investigação, o ecocardiograma costuma ser indicado diante de:
- coloração arroxeada nos lábios, na língua ou nas extremidades;
- cansaço, suor excessivo ou pausas frequentes durante as mamadas;
- ganho de peso abaixo do esperado sem outra explicação;
- respiração acelerada em repouso;
- sinais e sintomas de insuficiência cardíaca;
- coração aumentado identificado em radiografia de tórax;
- palpitações em criança com história familiar de arritmia ou morte súbita;
- desmaio ou dor no peito durante esforço físico;
- síndromes genéticas e outras malformações, que se associam com maior frequência a alterações cardíacas;
- acompanhamento de cardiopatia já conhecida, ou após doenças como a de Kawasaki e a febre reumática.
Como é feito
A criança se deita em uma maca, sem roupa da cintura para cima, geralmente com a luz baixa, o que ajuda a ver melhor a tela e deixa a criança mais tranquila. Crianças menores podem ficar no colo ou deitadas junto da mãe durante o exame.
O profissional aplica gel no peito e desliza o transdutor por diferentes pontos do tórax, do abdome e do pescoço, capturando as imagens. O gel costuma estar morno, justamente para não assustar.
A duração varia com a idade, a colaboração e o que precisa ser avaliado. Muitas crianças acham a parte mais interessante justamente a tela: dá para ver o próprio coração batendo e ouvir o som do fluxo sanguíneo.
Como preparar seu filho
Não há preparo complexo, e não é necessário jejum. O que faz diferença é a criança chegar tranquila:
- Vista uma blusa de botão, já que o exame é feito na região do tórax. Facilita muito o acesso sem precisar despir a criança inteira.
- Leve a mamadeira e o bico, se ela usar. Bebês costumam fazer o exame melhor mamando, e muitos dormem durante o procedimento.
- Leve o brinquedo preferido, ou algo que prenda a atenção.
- Se já for maior, converse antes e explique o que vai acontecer: é uma máquina de tirar foto do coração, tem um gel meio gelado, e não dói nada.
- Evite marcar no horário do sono ou da fome. São os piores momentos para pedir que alguém fique parado.
Qual a diferença entre ecocardiograma e eletrocardiograma?
Os nomes são parecidos e a confusão é constante, mas os exames respondem perguntas diferentes.
O ecocardiograma é um ultrassom: mostra a estrutura e o funcionamento: como o coração é por dentro, o tamanho das câmaras, o estado das válvulas e como o sangue circula.
O eletrocardiograma registra a atividade elétrica: o ritmo, a frequência e o caminho do impulso que comanda cada batimento.
Um coração pode ter estrutura perfeita e ritmo alterado, ou o contrário. Por isso é comum que os dois sejam pedidos na mesma avaliação: juntos, dão o quadro completo.
Perguntas frequentes
O ecocardiograma dói?
Não. É um ultrassom, com gel e um transdutor deslizando sobre a pele. A sensação mais forte costuma ser a do gel um pouco frio.
Precisa de jejum ou sedação?
Na rotina do exame não é necessário jejum, e a sedação raramente entra em questão. Se em algum caso específico ela for considerada, a equipe orienta a família com antecedência sobre o que fazer.
A partir de que idade pode ser feito?
Desde recém-nascido. O exame é usado inclusive em bebês nas primeiras horas de vida quando há suspeita de cardiopatia.
Quanto tempo demora o resultado?
Na Clínica Pequeno Coração, os laudos são elaborados pela Dra. Maria Fernanda e disponibilizados em até 24 horas, on-line e também na clínica.
Se o resultado for normal, meu filho pode fazer esporte?
A liberação para atividade física considera o exame, a história familiar e a avaliação clínica em conjunto, não apenas o resultado isolado. É uma conversa para a consulta.
Meu filho tem sopro inocente. Preciso repetir o ecocardiograma todo ano?
Em geral não. Confirmado o sopro inocente, o acompanhamento costuma ser clínico, e novos exames só são pedidos se algo mudar. Quem define isso é o cardiologista que acompanha a criança.
Leia também: Eletrocardiograma em crianças, Ecocardiograma fetal: quando fazer e Ecocardiograma infantil em Montes Claros.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diante de qualquer sinal que preocupe, procure avaliação com um cardiologista pediátrico.